Postado em 01/07/2007 por Zinga
   Memória Ativa 01 - Ouro Verde
 
 
 
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Ouro Verde – Amanhã vai ser outro dia.
- Amanhã seremos os maiores. Ninguém é melhor que nós. Teremos uma importância decisiva no cenário global. Nossa auto-estima é renovável e seremos responsáveis pela energia que vai encantar o mundo. Nossa alegria, nossa face verde e musical conquistará corações, motores e investimentos. E preencherá os ares de todo o planeta. Seremos consumidos e respeitados por todos os povos da Terra. Mais que isso, seremos desejados.


- Amanhã o Brasil vai meter medo e ser o melhor do mundo. Temos uma seleção de craques, não há dúvidas. Ganharemos a Copa, sediaremos a Copa, as Olimpíadas, as Grandes Conferências Internacionais. Acredite, faremos todos sambarem o nosso carnaval.
A maior potência agrícola, musical e futebolística do planeta alimentará o mundo com alternativas, energia e modernidade.
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- Este ainda será o país dono da perfeita combinação. Tradição e modernidade.
Mantendo sua raíz de inovadora esponja cultural, sua tradição escravocrata e sua íntima cordialidade com a natureza, o Brasil ainda terá os olhos voltados para o futuro, para a esperança, para a tecnologia e o desenvolvimento. Acredite, não será lugar de revoluções, será país de paz e muitas evoluções. Um país a gerar lucros e marcar, com collorida relevância, sua passagem pela História da Humanidade.
Pode começar a comprar que ele é nosso.

 
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Ouro Verde – Energia, tradição e trabalho
Já diziam os mais antigos: “Nesta terra, em se plantando, tudo dá.” Ou alguma coisa assim.

As sementes de Cana vieram das Índias nas primeiras embarcações e foram logo bem tratadas. Incorporada - como quase tudo que experimenta nossa receptividade - a plantinha verde e migratória aqui virou suco, virou açucar e energizou as refeições do Velho Mundo. O pessoal que antes só tinha o aditivo da beterraba passou a pagar os tubos pra ficar ligado na nossa cana. Alguns dos nossos também prosperaram com a energia da terra. Dela também fizemos o álcool, nossa branquinha e o nosso cíclico torpor.
Foi para energizar a chamada civilização moderna - e iniciar nossa tradição de boa nação fornecedora - que resolvemos construir usinas e nos organizar economicamente, gerando trabalho a milhares de africanos que se mudavam para o Brasil.

Mesmo que não seja mais a única e predominante atividade lucrativa destas terras intermináveis, a monocultura do ouro verde segue firme e forte até hoje. Além de abastecer com recursos, influências e negócios, as famílias descendentes de colonos europeus, o cultivo concede o direito de trabalho a uma legião de afro-brasileiros (e de muitos outros prefixos que preenchem o caldeirão de brasileiros).

Apesar do regime de trabalho continuar muito parecido ou igual, hoje a categoria dos cortadores é mais diversificada. Já não são apenas afro-descendentes e sim gente de todos os cantos, cores e crenças. Hoje, o cultivo da cana tem ainda mais a cara do nosso país. A bóia, quando há, continua fria. E já não trabalham em troca de comida, moradia ou dinheiro.
Trabalham em troca de trabalho.

No século XXI, a grande maioria das denúncias sobre as chamadas ‘situações análogas à escravidão’ tem como foco as plantações de ouro verde. Muita gente ainda trabalha igual como nos primeiros anos de “existência” do nosso país. Além dos complexos mecanismos da dependência servil, utilizam-se das mesmas ferramentas tecnológicas de colheita. O bom e velho facão, o tradicional cesto de bagaço e o fogo. Grandes e ostentosas queimadas. Labaredas que emprestam novas cores ao ouro verde. Não sei se é simples imaginar o fogo como uma tecnologia agrícola. Mas o homem gosta tanto do fogo que, hoje e sempre, ele é o mais utilizado instrumento na colheita da cana, a genuína paixão nacional.

Hoje a tecnologia está na multiplicação do potencial agrícola. Experimentamos novos horizontes para a semente que aqui chegou para nos organizar economicamente. Mas apesar de tantas novidades, não há desequilíbrio. Os homens que ainda não foram substituidos pelas máquinas podem viver a tradição agrícola brasileira à flor da pele. Não precisam compactuar com esses valores importados, como direitos humanos, preservação da natureza ou direitos trabalhistas. A Cana é a nossa Cara.
 
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Ouro Verde

Apesar do Brasil possuir um dos cenários mais promissores para a indústria canaviera, por ser líder na produção de açúcar e etanol e reunir as melhores condições para a expansão da indústria da cana-de-açúcar, temos que repensar que tipo de desenvolvimento queremos e vamos topar. Apesar da euforia da agroindústria, fala-se pouco sobre o controle necessário à sua estrutura de produção, já que os aspectos principais dessa estrutura se concentram em 3 pontos: concentração fundiária, o uso da força de trabalho e impactos ambientais. Entre outros negócios prejudiciais ao meio como o cultivo de soja e a criação de gado, os empreendimentos sucroalcooleiros são tradicionalmente concentradores de renda em virtude da integração vertical das usinas, que exclui e reduz o número de fornecedores/produtores. A força de trabalho centra-se na ocupação temporária da lavoura e no pagamento dos trabalhadores por produção, sendo que em muitos casos não se cumpre leis trabalhistas, além das condições de trabalho serem muito precárias, daí as inúmeras denúncias de trabalho escravo. Acrescenta-se aí a dimensão complexa dos impactos ambientais que vão desde a contaminação do lençol freático com o despenho de vinhaça no solo, até o desmatamento de reservas legais de mata nativa, passando pela queima da palha da cana e pela monocultura canavieira (fonte: Série Cadernos Técnicos - Transporte e Meio Ambiente da ANTP - Volume 6). Com tudo isso, fica difícil engolir toda essa propaganda do governo e muito menos a vinda do Bush para pactuar acordos nesse sentido. Com a falta de fiscalização e a corrupção enraizada em nossa cultura sabemos no que essa política vai resultar: mais dinheiro nas mãos de poucos e menos verde, água e ar puro para nossa população.

 
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Ouro Verde - Sabor Picanha
'É um biodiesel de picanha', diz Lula em inauguração

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou bem humorado à fábrica do Grupo Bertin, da qual participou da inauguração. A instalação, aberta oficialmente nesta terça-feira (21), produzirá biodiesel a partir de sebo animal.

Após colocar o combustível em um vasilhame, o presidente brincou e disse "aqui jaz um boi, é um biodiesel de picanha", afirmou antes de cheirar o combustível, que não tem odor algum, pois ele é retirado durante o processo.

O diretor industrial da Bertin Cesar Abreu, explicou que o cheiro do combustível é realmente retirado no processo de sua produção.

O sebo bovino utilizado como matéria-prima na produção do combustível virá dos frigoríficos do Grupo Bertin. A usina também está preparada para produzir biodiesel a partir do etanol de cana-de-açúcar e de oleaginosas, na rota etílica. Os investimentos na usina chegam a R$ 42 milhões, R$ 14 milhões financiados pelo BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A unidade, construída em uma área de 30 mil metros quadrados foi projetada pela Dedini Indústrias de Base. A usina gerou 200 empregos diretos. O complexo industrial do Grupo em Lins é o maior da região com 11 mil funcionários. O governador do Estado de São Paulo, José Serra, também participaria da cerimônia, mas será representado pelo vice Alberto Goldman porque está com gripe. (Estadão Online)
 
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Ouro Verde – Baita Bandeira
O Brasil é azul, amarelo e verde. São as cores da riqueza. Tudo da natureza. Certo, tem um pouquinho da branca também, mas essa é verborrágica e, além de estrela, fala em ‘ordem’, ou algo assim.
O que não vem ao caso. O caso é verde. Desde sempre se diz que a riqueza verde predomina na terra dos tupis. O ouro é verde planta, não verde dólar.
Tem gente dizendo que por aqui a fortuna verde escoa pelo ralo, como foi com a amarela. Tem gente alterando o estandarte nacional. Tem gente dizendo ‘demorô’. Há tempos.
Mas o fato é que vai tudo muito bem obrigado com a nossa bandeira.
 
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