Linha de Chegada – Poesias, tragédias e estatísticas
Consta no wikipédia que consta nos livros de História, que consta nos Autos que, oficialmente, o primeiro acidente automobilístico brasileiro ocorreu na deslumbrante e arborizada Estrada Velha da Tijuca. Eram os últimos anos do século dezenove, menos de uma década depois da queda do Império.
Estamos em 1897 na charmosa capital da nova República sulamericana. O refrão cantado aos quatro cantos é "Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós!" O vitorioso abolicionista e poeta, José do Patrocínio, empresta ao colega Olavo Bilac sua mais recente conquista: o automóvel. Olavo, poeta de nobres versos altamente influenciados pelo romantismo, não possui carteira de habilitação e tampouco idéia de como dominar máquina tão exótica e poderosa. O poeta então arremessa o veículo de encontro a uma árvore. A árvore era uma bela nativa que ornamentava a estrada da floresta quase virgem. Bilac entra para a História como o primeiro brasileiro a desafiar os volantes. Dizem que o feito foi muito comemorado pelo autor, agitando a vaidade da ‘alta-classe’ brasileira.
*A fama de Olavo cresce com o passar do tempo. Na internet, o “pioneiro dos acidentes” é quase tão citado quanto “o poeta com influências do romantismo…”.
Linha de Chegada – poesias, Tragédias e estatísticas
“…Deixo apenas a sugestão de que a Rodovia Ayrton Senna - que um dia foi “dos Trabalhadores” – seja re-batizada “Rodovia Tambourello”, para avisar aos candidatos a piloto que, mesmo os “bons no volante”, podem se machucar com o excesso de velocidade..”
Da introdução (assinada por M.Baderna) ao livro “Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um planeta poluído” , organizado por Ned Ludd, publicado pela editora Conrad 2004 – coleção Baderna (www.baderna.org)
Linha de Chegada – poesias, tragédias e Estatísticas
A cada 13’ ocorre um “acidente “ de trânsito no Brasil. A cada 7’ ocorre um atropelamento. Além das 46 mil mortes anuais por “acidentes” de trãnsito, 300 mil pessoas ficam feridas, 60% com lesões permanentes. Desses mortos, 44% são vítimas de atropelamentos e 41% estão nas faixas etárias entre 15 e 34 anos. Cerca de 60% dos leitos de traumatologia dos hospitais brasileiros são ocupados por “acidentados” no trânsito. Na cidade de São Paulo ocorre um acidente a cada 3,2 minutos. Mais de 700 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito de 1960 a 2000 no Brasil. Já não é novidade que temos no Brasil em média “uma guerra do Vietnã de mortos pelo trânsito” a cada ano. A cada dez leitos hospitalares, cinco são ocupados por “acidentados” no trânsito. “Acidentes” de carro e atropelamento matam mais crianças de 1 a 14 anos do que doenças. Os “acidentes” de trânsito são o segundo maior problema da saúde pública brasileira, só perdendo para a desnutrição.
Linha de Chegada – 'Pole Postion' (ou 'Poesias, tragédias e estatísticas')
Consta no Wikipédia, que costa nos livros ‘da História desse país’, que consta nos documentos oficiais que o primeiro ser humano a rodar um automóvel em terras brasileiras foi ele, o Grande Pioneiro. O homem que chamam de “O pai da aviação” - que dizem que ensinou o mundo a voar e depois suicidou-se - foi também um desbravador em quatro rodas, importando um belo automóvel às esburacadas ruas do balnáreo de São Sebastião. Alberto Santos Dumond, ‘o homem alado’, foi também, segundo os fãs, aquele que motivou a modernização de uma nação antes movida a quatro patas e carroças. Dizem ser este um importante capítulo da História do país bom de decolagem mas nem tanto de pouso.