(i)Mobilidade – Nosso jeitinho nacionalista de ser
"…A relação de militares com a indústria automobilística já estava na fase simbiótica antes de 1964. O GEIA (Grupo Executivo da Indústria Autmobilistica) criado em 1956 para planejar a instalação da indústria no Brasil, tinha a participação da Ford, da General Motors, da Mercedes e da Vemag (a única brasileira da turma). Mas a presidência era de um almirante, Lucio Meira.
Vitorioso o golpe militar, vitoriosas também as multinacionais. Elas ganharam liberdade para papar suas pequenas concorentes. A Volkswagem comprou a Vemag, a Alfa Romeu comprou a Fábrica Nacional de Motores e assim por diante. Enquanto isso o governo militar massacrava os sindicatos, impunha o arrocho salarial e construía rodovias. Foi o Milagre Econômico".
Da introdução (assinada por M.Baderna) ao livro "Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um planeta poluído" , organizado por Ned Ludd, publicado pela editora Conrad 2004 – coleção Baderna (www.baderna.org)
"Segundo os dados do MICT e da Secretaria da Receita Federal, em 1998 foram registrados R$3,9 bilhões de investimentos das montadoras e R$920 milhões de renúncia fiscal sob o amparo do regime automotivo. (…) na União Européia, cuja indústria é cerca de dez vezes maior que a brasileira, os subsídios anuais desde 1989 tem sido, em média, de ECU 770 milhões, que, à taxa de câmbio de março de 1998, correspondem a R$950 milhões aproximadamente. Com a eventual excessão da Indonésia, não há registro contemporâneo de outro país no planeta que conceda 270% de proteção efetiva às montadoras, além de 24% de incentivos fiscais federais para investimentos e de outros benefícios estaduais"
('A Proteção à Indústria Automobilística na Europa e no Mercosul' , José Tavares de Araújo Júnior, Revista de Economia Política, vol.18. nº4, out-dez/1998).
A redução do IPI dos carros populares e médios foi um pedido das montadoras. O socorro às empresas seria uma forma de evitar demissões.
Com os intermináveis avanços tecnológicos, a cada ano as fábricas se beneficiam de novos e sofisticados robôs-trabalhadores. Muitos setores já funcionam de luzes apagadas. Pois os robôs são inteligentes e não precisam enxergar o que estão fazendo.
O objetivo do acordo fechado hoje é mudar esse cenário que reflete a crise no setor automotivo. Para aumentar as vendas o governo federal abriu mão de mais 3 pontos percentuais no IPI. (Imposto sobre Produtos Industrializados).
A expectativa para esse ano é que o Brasil produza 2 milhões e quinhentos mil veiculos.
(i)Mobilidade – Modernização dos motores de classe
"..O Culto ao automóvel, também ele, tem bases bem terrestres. Relaciona-se diretamente ao projeto de industrialização que resultou do pacto das elites brasileiras com as grandes multinacionais do automóvel. Se tal projeto foi um grande desastre social e ecológico, foi também, por bom tempo, uma maravilha para os números e estatísticas econômicas. Um dos mais celebrados exemplos da rápida ação modernizadora (ao lado da URSS de Stalin, do Chile de Pinochet, da Cingapura de Lee Kuan Yew etc..). Modernização que tornou possível não só a popularização do carro, mas também da TV, dos supermercados e o surgimento de uma classe operária relativamente mais forte até que a sua contraparte, a patética burguesia brasileira…"
Da introdução (assinada por M.Baderna) ao livro "Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um planeta poluído" , organizado por Ned Ludd, publicado pela editora Conrad 2004 – coleção Baderna (www.baderna.org)
- No Instituto do Coração, de cada 100 consultas no pronto-socorro, 12 são atribuídas à poluição do ar. De 5% a 6% das mortes naturais de idosos são aceleradas pela poluição;
- O risco de ter câncer de pulmão morando numa cidade como São Paulo é 10% maior do que em outro local;
- A moto emite 20 vezes mais poluentes do que um carro novo. Enquanto um carro roda em média 30 km por dia, as motos de entrega percorrem até 180 km. Assim, uma moto pode poluir tanto quanto 120 carros.
- Estima-se que os níveis atuais de poluição da cidade de São Paulo promovam uma redução de cerca de um ano e meio de vida em seus moradores;
- A poluição de São Paulo provoca impacto sobre cada habitante equivalente à inalação de cerca de 3 cigarros por dia.
- Os custos dos efeitos crônicos da poluição do ar são substanciais. Na cidade de São Paulo, as estimativas mais conservadoras apontam para valores de US$ 400 milhões por ano.
Fonte: Dr. Paulo Saldiva, patologista da Faculdade de Medicina da USP
(i)mobilidade - Falta espaço para o vício do carro
"Não há mais espaço para automóveis nas grandes capitais. A frota da capital paulista é de 5 milhões de automóveis, mas apenas 3,5 milhões circulam. No horário de pico, são cerca de 700 mil que estão nas ruas. Se todos saíssem ao mesmo tempo, aconteceria um colapso!", estima Nazareno Stanislau Affonso, coordenador do Movimento Nacional Pelo Direito do Transporte Público de Qualidade Para Todos e diretor do instituto Rua Viva, ONG responsável pel a campanha do "Dia Mundial Sem Carro".
Nazareno Stanislau também destacou o problema crônico das mortes no trânsito, que provoca tragédias diárias em todo o País. "No período entre o acidente do avião da Gol e o da TAM, cerca de 400 pessoas morreram em acidentes aéreos. Só no trânsito, no mesmo período, foram 12 mil", alerta Nazareno. "Os cidadãos precisam diminuir seu vício pelo automóvel. Existem outros meios mais saudáveis e melhores para o bem-estar do que o carro", concluiu.
(i)Mobilidade – Frases de'feito, autores diversos - 1
."Não há saídas, apenas ruas, viadutos e avenidas;" (de um certo Itamar-poeta que, que eu saiba, não gostava tanto assim de Fusca & se destacava mais pelo topete metafórico-artístico)
.."Soluções privadas, catástrofes públicas" (anônimo, ao menos que saiba esta socraticamente ignorante bloggequipe)
(i)Mobilidade – Humanóides (n'O Sonho de Brasil Grande)
Máquinas se alimentam de óleo de montagem Fábricas se robotizam na velocidade da nova era. -------- Em apenas cinco anos – de 1990 a 1995 – a produção de veículo por empregado passou de 7,8 para 15,6. --------- “…Apesar das evidências de que a indústria automobilística não funciona mais como um motor de desenvolvimentismos, tampouco como milagrosa geradora de empregos, as empresas automobilísticas continuam a compor a indústria mais protegida do Brasil. Não só com todo o cardápio de isenções fiscais, mas com diversos mecanismos de reserva de mercado.. Talvez porque esteja claro que encarar o fim dos sonhos automobilísticos, seja encarar também o fim dos sonhos de Brasil Grande”. - Da introdução (assinada por M.Baderna) ao livro “Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um planeta poluído” , organizado por Ned Ludd, publicado pela editora Conrad 2004 – coleção Baderna (www.baderna.org)
(i)Mobilidade – Alguma coisa acontece no meu coração
A capital paulista tem mais de 5 milhões de carros, é um para cada dois habitantes
São mil por dia, mais de 20 mil por mês. Cerca de 250 mil por ano. Se os quase cinco milhões de automóveis da cidade rodassem na mesma hora, as ruas e avenidas teriam que ter quatro andares.
O paulistano costuma perder duas ou três horas por dia em congestionamentos. Praticamente um mês por ano dentro do carro.
O ar foi considerado inadequado para respirar.
A cidade já foi considerada a mais poluída do mundo, segundo a ONU. Diariamente o paulistano respira 8.100 toneladas de poluentes. Os carros são responsáveis por 80% da poluição atmosférica de SP.
São Paulo perde seis milhões dólares anualmente com congestionamentos.